Para que pensar na escuridão como o fim? Tem muito mais vivendo ali.

Para que pensar na escuridão como o fim? Tem muito mais vivendo ali.

As vezes em meio ao montinho de cobertor sinto frio.
Sem mais nem menos, um arrepio pela minha pele caminha.
Sinto medo, um medo de não voltar, um medo de não ter mais o brincar.
E o frio continua. Com sua espreita sombria. Sobre mim assobia.
Sinto esvair de mim a esperança e a vela entra na dança:
Sombra, luz, sombra, luz, sobra sombra, falta luz.
Como crescer perdendo o medo do escuro?
Como crescer e não temer mais o desconhecido, para que aquele conhecido, vire um amigo?
Eu poderia dizer se da cama pudesse descer, mas o cobertor me protege, me acolhe, me acalma.
Eu poderia ser como os heróis, mas por que quando choro todos eles se vão.
Mais uma vez o frio. Abusa da minha companhia, urra da minha apatia.
Eu o esqueço, fingo que o esqueço, apenas espero.
Logo o sono vira meu amigo, logo os sonhos serão meu abrigo.
Mas o frio ainda estará lá amanhã.